Desde 2023, os ataques de Israel contra a Palestina se intensificaram fazendo com que o mundo testemunhe um genocídio, segundo a Comissão de Inquérito Independente da ONU (2025). As ações perpetradas por Israel contam com o suporte de propaganda nas redes digitais para a criação de narrativas que justifiquem tais atos. A figura do Beemote digital foi utilizada por Bastos, Souza e Fusaro (2023) como uma metáfora da crise que permite a criação de comunicação como um recurso ou “uma forma que elude as funções da forma política, cumprindo-as” (Bastos; Souza; Fusaro, 2023, p. 487). O Beemote digital se utiliza da falta de legislações sobre as plataformas digitais (ou seja, da falta do Estado regulador) como possibilidade lógica para a desinformação.
Partindo do Beemote como um elemento constitutivo do Estado podemos entender como a propaganda funciona como expressão direta, subordinando o “tornar público” a um “tornar público o discurso adequado às necessidades do regime”. A desinformação, entendida como a sobreposição de posicionamentos políticos no lugar do factual, não é uma disfuncionalidade, mas sim um desacobertamento de um princípio que se esconde por traz de uma aparência (Bastos; Souza; Fusaro, 2023). As plataformas digitais são facilitadoras desse processo ao oferecerem multiplicidade de vozes por meio da interação. Os algoritmos são capazes de ecoar o “viés de confirmação” com discursos condizentes com crenças individuais.
Nesse sentido, poderes institucionais como o do exército de Israel (Israel Defense Forces - IDF) utilizam as redes digitais como plataformas de propaganda explorando pautas identitárias (Barros, 2024) em seus vieses liberais justamente como forma de acobertamento de seus intuitos de dizimação de um grupo étnico. O presente trabalho objetiva revisar os contributos do artigo “Beemote digital: confusão entre propaganda e publicidade nas plataformas de redes digitais como expressão da crise imanente das formas sociais” (Bastos; Souza; Fusaro, 2023), adicionando a perspectiva de gênero como uma especificidade a ser considerada quando problematizamos as questões da propaganda e da desinformação, feitas a partir de aparelhos oficiais de Estado, nas plataformas digitais.
Para tal propósito, partiremos de uma análise de conteúdo de publicações do Instagram oficial do exército de Israel (Israel Defense Forces - IDF) que, segundo nossa hipótese, utiliza três estratégias combinadas para a suavização de sua imagem institucional e para o convencimento do “mundo ocidental” por meio do recurso do identitarismo: a) postagens com linguagem de “meme” e adequadas às redes digitais que remetem a referências da cultura ocidental dando “leveza” ao conteúdo, b) conteúdo focado em suposta valorização das pautas de gênero, pró diversidade LGBT+, de acolhimento com pessoas neurodivergentes e de exaltação da instituição “família”, também com o objetivo de passar uma imagem alinhada com os valores do “mundo ocidental” onde supostamente a liberdade é privilegiada em detrimento dos costumes mulçumanos que seriam arcaicos e opressivos para minorias sociais como mulheres e a população LGBT+ e c) desumanização da população palestina com acusações de que toda a população civil seria formada por terroristas e pessoas agressivas e avessas à civilidade.
Comissão Organizadora
Sociedade EPTICC
Comissão Científica
Ana Beatriz Lemos da Costa (TCU/UnB)
Anderson David Gomes dos Santos (UFAL)
Antônio José Lopes Alves (UFMG)
Carlos Alberto Ávila Araújo (UFMG)
Carlos Peres de Figueiredo Sobrinho (UFS)
César Ricardo Siqueira Bolaño (UFS)
Débora Ferreira de Oliveira (UFMG)
Edvaldo Carvalho Alves (UFPB)
Fernando José Reis de Oliveira (UESC)
Helena Martins do Rêgo Barreto (UFC)
Janaina do Rozário Diniz (UEMG/UFMG)
Janaíne Sibelle Freires Aires (UFRJ)
Kaio Lucas da Silva Rosa (UFMG)
Lorena Tavares de Paula (UFMG)
Manoel Dourado Bastos (UEL)
Mardochée Ogecime (UFOP/UFMG)
Marília de Abreu Martins de Paiva (UFMG)
Rafaela Martins de Souza (Universidade de Coimbra)
Rozinaldo Antonio Miani (UEL)
Rodrigo Moreno Marques (UFMG)
Ruy Sardinha Lopes (USP)
Sophia de Aguiar Vieira (UFMG)
Verlane Aragão Santos (UFS)